CRIANÇA PEQUENA NO MUSEU – pensando questões para além da acessibilidade

CRIANÇA PEQUENA NO MUSEU – pensando questões para além da acessibilidade

Oi! Voltei! E hoje vou escrever mais um pouco sobre infância e museu, ok?  Não sei se vocês sabem, mas o dia 18 de maio é o Dia Internacional de Museus, e neste ano de 2019 a temática escolhida pelo International Council of Museums (ICOM) foi “Os museus como eixos culturais: o futuro das tradições”. Super importante que a gente possa, então, abrir nosso leque de questionamentos para esta instituição que se pretende transformadora, acolhedora e inclusiva… Nossa! São muitos os desafios ainda presentes!

Se na postagem anterior contei de um espaço bastante acolhedor para as diferentes gerações, selecionei aqui para vocês hoje mais um pequeno escrito que foi anteriormente publicado na Revista Educar e que traz uma experiência quase oposta:

Um menino, com cerca de 4 anos, foi a uma exposição de arte acompanhado de um grupo de adultos: pais, avós e tias. Depois de contemplar toda a mostra, foi-lhe perguntado do que mais havia gostado. “Do leão”, ele respondeu. Não se lembrando de ter visto nenhum leão, a avó retoma toda a exposição – desta vez, procurando sair da cômoda posição de seu olhar adulto e buscando entrar no olhar dele, com sua altura, seu repertório…

A primeira constatação foi imediata e diz respeito à acessibilidade: o menino passeava sob os quadros e via apenas paredes brancas intermináveis. Pego, então, no colo, pode refazer o percurso e foi olhando as obras, uma por uma. Ele apontava, comentava, reclamava, exclamava, imitava, ria – sempre estabelecendo relações com coisas anteriormente vistas/vividas, fazendo indagações e associações de ideias. De repente, “o leão”. O quadro era grande e terminava rente ao chão. Na parte inferior, um enorme urso pardo com a boca arreganhada e dentes a mostra, pelos arrepiados assemelhando-se a uma juba. Derrotado, estirado no chão, sustentava o pé de seu vitorioso caçador. O urso-leão foi a única figura que o menino havia visto quando estava caminhando pela primeira vez naquele museu – um urso-pintado que, acionando imagens outras, presentes em seu acervo de menino-de-4-anos, transforma-se em leão-imaginado.

Os museus foram historicamente pensados pelos e para os adultos. Em sua trajetória de existência, passaram de locais marcadamente elitizados para consubstanciarem-se conceitualmente, hoje, como espaços de transformação social – mas inegavelmente ainda têm muito a percorrer nesta direção.

Como querer defender a ideia de museu para todos, ou de plena democratização dos espaços museais, se nem mesmo a altura das obras possibilita a apropriação por parte de crianças e até de cadeirantes?

Não é a falta de interatividade do acervo que afasta o interesse infantil – mas as condições de apropriação oferecidas às meninas e meninos visitantes. A questão da altura é apenas um dos tantos obstáculos a serem enfrentados. A reboque deles, tem-se a questão da linguagem, os guardas, as legendas, a ação educativa… De que maneira podemos repensar tudo isso?

Vamos tricotar sobre isso?

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