MUSEU, IMAGINAÇÃO E ENCANTAMENTO DE BRAÇOS DADOS!

MUSEU, IMAGINAÇÃO E ENCANTAMENTO DE BRAÇOS DADOS!

Oi, pessoal, meu nome é Maria Isabel Leite, e estou agora colaborando com o Blog… =)

Minha ideia é compartilhar algumas reflexões e acender nosso diálogo sobre educação, infância e cultura, sobretudo em relação aos museus. Inauguro os meus posts, então, com a temática museal, publicando algo que escrevi tempos atrás para a Revista Educar – vamos ler juntxs?

Toda vez que vou a um museu, como pesquisadora da área, o olhar que lanço sobre ele vem impregnado pelas contribuições do filósofo alemão Walter Benjamin, fundamentalmente por sua concepção de história – que quebra com a ideia de tempo linear, cronológico e sequencial e toma a História como um diálogo fluido e permanente entre passado, presente e futuro; e de infância, na medida em que entende a criança como sujeito ambíguo e contraditório; participante ativo na sociedade; produzido na e produtor de cultura. E foi usando essas “lentes” que adentrei o grande hangar, construído de forma simples, com uma significativa coleção de brinquedos, roupas, e outros objetos que remetem à infância, além de exposição de trabalhos de crianças no V&A Museum of Childhood, em Londres.

Segundo Carolyn Chinn, esse museu foi inaugurado em 1822 e tornou-se Museum of Childhood em 1974, sempre como uma ramificação do Victoria and Albert Museum (V&A), mas até 2003 era estruturado para atender adultos. Desde então, vem passando por profundas reformulações e investindo no compartilhamento de espaços por crianças e adultos, oferecendo, simultaneamente, atrações às diferentes gerações. Assume que se estrutura, hoje, para um público composto de famílias, escolas e grupos locais (minorias étnicas).

Esse é, seguramente, um aspecto que mercê atenção – diferente da ideia de “museus das crianças”, que visam ter meninos e meninas como público privilegiado, esse museu londrino procura agregar crianças, jovens e adultos em uma proposta de compartilhamento de espaço.

No Museum of Childhood as pessoas não têm apenas coisas para ver, mas também para tocar, para brincar com, papéis e lápis diferentes para desenhar, fantasias para usar, livros para ler, brinquedos para montar… e ainda encontram informações, livros, revistas e também experimentos com os quais se envolver. Para acolher os diferentes públicos em suas necessidades e solicitações diversas, o museu oferece vitrines c objetos dispostos desde o chão, e também sofás, cercado com espaço macio para bebês brincarem (com música de ninar ao fundo, cantada por vozes infantis), tanque de areia, mesas baixas com brinquedos, mesas altas com cadeiras –percebam que são vários aspectos envolvendo acessibilidade; além de ouras com jogos de tabuleiro, espelhos, fantasias, velocípedes, cavalos de pau, materiais artísticos, entre outros. Isto é: um museu onde a imaginação e o encantamento andam de braços dados!

Que museu brasileiro você conhece assim? Será que é tão difícil pensar num museu que interesse e acolha todas as faixas etárias? Ou será que por trás da opção de não acolher os pequenos está uma ideia de criança como sujeito incompleto, em falta… Como sujeito à margem?

Penso que essa reflexão se faz importante na medida em que defendemos o processo de inclusão social e cultural, de respeito à diversidade, de pluralidade de olhares – e já está na hora de colocarmos em prática ações nessa direção, não acha? 😉

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